MaturiDay discute novas oportunidades de carreira para os 50+ no mundo pós pandemia

Para o convidado do próximo MaturiDay, o professor  Marcelo Nakagawa, é preciso se preocupar em construir sua marca pessoal, estar continuamente evoluindo como profissional, aprendendo sempre e inovando nas soluções.

Logo que se entra no Museu Nacional de Ciência e Inovação Emergentes, em Tóquio há um grande aviso que diz: “Em vez de respostas, as exibições no Miraikan se concentram nas perguntas. Isto porque o futuro em si é uma questão cuja resposta pode mudar. Você encontrará muitas questões aqui.

Primeiro, escolha a pergunta que o interessa e pense a respeito. Então, busque os seus próprios questionamentos, tentando respondê-los, e transformando suas respostas em ações. Quando somadas, nossas ações individuais se tornarão um poder que, com certeza, mudará o futuro”.

O texto serve como uma luva para apresentar o próximo MaturiDay que trará o tema “Novas Oportunidades de Carreira no Pós Pandemia” e acontece dia 25 de outubro, a partir das 18h. O convidado é Marcelo Nakagawa, professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, um amante do Japão que irá trazer novos conceitos e formatos de trabalho que independem da idade, que abrem novas possibilidades aos maturis, principalmente no momento em que estamos vivendo, onde tudo está migrando para o digital e muitas oportunidades surgem.

“Nesta edição do MaturiDay, trazemos novamente o especialista Marcelo Nakagawa, que já é conhecido do nosso público, para atualizar os maturis com relação às tendências do mercado de trabalho neste período de pós-pandemia que estamos adentrando”, comenta o CEO e fundador da  Maturi, Mórris Litvak. “Faremos uma conversa abordando o que mudou desde o início da pandemia, quais são as tendências e onde estão as demandas que os maduros podem contribuir e encontrar novas oportunidades”

Marcelo Nagakawa será o palestrante do MaturiDay

Coordenador adjunto da FAPESP nos programas de inovação, colunista da Época Negócios, consultor de inovação para grandes corporações e entidades setoriais e governamentais, Nakagawa tem quase 30 anos como executivo nas áreas financeira, estratégia empresarial, venture capital, inovação, private equity e educação.

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Conversamos com ele sobre as mudanças que o mundo vem passando, os novos negócio por meio de ecossistemas digitais, em buscar um projeto e não emprego, propósito de vida, aprendizado contínuo, as novas dinâmicas de trabalho, o futuro para entender onde está a demanda pela experiência dos maduros neste novo cenário e como encontrar as respostas para as perguntas que nos assombram todos os dias:

Como os maturis podem se situar no ambiente VUCA?

Mais do que um termo da moda, VUCA de Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade representam novas dinâmicas da sociedade, que, por sua vez, implicam em novas formas de negócio e trabalho. O desafio para todos, não apenas para os maturis, é estar aberto a novos aprendizados e novas formas de vivenciar o mundo. Para os mais experientes, é mais comum se fixar em uma lógica de mundo que sempre funcionou até o momento, mas agora, é o momento de vivenciar o fluxo cada vez mais dinâmico em que vivemos. A vantagem é que há novos jogos, especialmente de negócios e trabalhos, que estão começando agora, não importando se tem 20 ou 60 anos. O jovem, normalmente, percebe estas mudanças como oportunidades, mas os que têm mais idade, entendem como ameaças ou mesmo não entendem o que está acontecendo pois não se moldam às suas lógicas do passado. Para as pessoas de mais idade, portanto, o desafio é permanecer jovem por mais tempo. Não é fácil agir desta forma ou imaginar como alguém de 25 ou 30 anos pensaria ou agiria, mas é fundamental para vivenciar o mundo como alguém que percebe oportunidades, especialmente nas mudanças, como as intensas que vivemos atualmente.

O que é o conceito de Smart Business e como adotá-lo?

Smart Business é um conceito de negócio elaborado por Ming Zeng, ex-estrategista chefe do Alibaba, um dos maiores conglomerados digitais da China e do mundo. Tal qual um telefone, que no passado servia “apenas” para conversar, atualmente é difícil listar tudo o que um smartphone pode fazer. Da mesma forma, é desafiador explicar o que é o Alibaba, pois a empresa atua em tantos segmentos com diferentes modelos de negócio que não há comparação no Ocidente. O Alibaba é que chamamos de ecossistema digital de negócio, algo que podemos ver no Mercado Livre e mais recentemente no Magazine Luiza, mas ambos estão na infância se comparado ao Alibaba. Esta lógica em que muitos negócios estão integrados de forma digital é o que Ming Zeng chama de Smart Business. Ele resume Smart Business à combinação de inteligência de dados e redes de colaboração. Neste caso, milhões de negócios e consumidores realizam negócio por meio de ecossistemas digitais e isto só é possível pela integração digital de dados que escala a inteligência de todo o sistema, gerando um nível de eficiência cada vez maior.

Como “convencer” uma geração foi educada a ter um único emprego na vida, se adaptar a um mundo onde não há mais estabilidade?

As adaptações são sempre por oportunidade ou por necessidade. Mas em geral, quando a adaptação é feita por necessidade, talvez seja tarde demais. É o que ocorre, por exemplo, quando temos algum problema de saúde. Muitos dizem querer mudar, mas não tem nenhuma iniciativa. Estes, infelizmente, ficarão para trás. Outros querem mudar, mas não sabem por onde começar. Estes precisam refletir, inicialmente, como poderiam utilizar seu conhecimento, seus talentos e sua rede de contatos em novas formas de trabalho. É preciso pensar em não apenas buscar emprego, mas trabalho, em formas de ajudar outras pessoas e organizações. Depois, é aumentar sua rede de contatos, participando de eventos, conhecendo novas pessoas para identificar novas oportunidades de atuação. Nestas interações, é preciso ser proativo e buscar ajudar outras pessoas ,antes mesmo de ser ajudado. Muitas oportunidades de trabalho podem começar com atuações voluntárias. Nestas andanças, perceba se não pode atuar também como consultor(a) ou realizando trabalhos pontuais. O mais importante é estar aberto a novos aprendizados, a aumentar sua rede de relacionamento e a ajudar outras pessoas. No final, quanto mais você ajuda, mais aprende e maiores serão suas oportunidades de trabalho.

Nesta mesma linha, muito se fala em propósito, felicidade…que para os 50+ era ter um bom emprego, se aposentar e aproveitar os netos. Como fazer essa transição?

Infelizmente, há uma geração que foi condicionada a trabalhar até se aposentar para daí viver realmente a vida… As gerações mais novas se preocupam mais em viver a vida, em buscar propósito, em aproveitar seus talentos, em criar e participar de novas redes de relacionamento. Os que criticam esta forma de pensar questionam como serão o futuro, especialmente financeiro de pessoas que vivem assim. Não é possível afirmar quem está certo ou errado, mas o que é triste é viver toda uma vida e olhar para trás e perceber que não valeu a pena. Daí a importância de uma corrente da psicologia chamada Logoterapia que lida com a questão do propósito de vida. Nesta abordagem, quando se descobre o porquê vivemos, somos mais resilientes em buscar o que e como vivemos. Mas quando não sabemos o motivo de acordarmos todos os dias, todo o resto não fará sentido. Há muitas pessoas que descobriram seus propósitos de vida muito cedo, outros, talvez mais tarde. E o propósito de vida também pode se alterar ao longo da vida. Mark Twain, um dos escritores mais importantes da história, costumava dizer que “os dois mais importantes dias da sua vida são os dias que você nasce e o dia que você descobre o porquê”.

Como entra o conceito da educação continuada depois que muitos terminaram a faculdade há décadas, por exemplo?

Muitos associam aprendizado às escolas ou faculdades, mas deveríamos aprender todos os dias! O que você aprendeu hoje? Quando passa dias, semanas ou meses sem aprender algo novo, provavelmente não viveu todo este período. Precisamos ter consciência do que estamos aprendendo, porque agindo assim, sempre estaremos condicionados a aprender mais e a aprender sempre. Quando se pensa em carreira, é importante buscar organizações e funções que podemos aprender mais e sempre. E isto deve ser liderado por cada um de nós. Se atua em atividades em que não está aprendendo nada novo, deve imaginar o que acontecerá com a sua carreira profissional. Aprendizado, assim como a saúde e felicidade, devem exigir uma análise contínua de nossa parte. Além da atitude em aprender sempre e mais, também é preciso ter disciplina para buscar oportunidades de aprendizados formais, especialmente naqueles cursos que possibilitem novas redes de relacionamento. Há muitas opções online atualmente. Mas neste caso, em geral, não há muito networking. Neste caso, cabe a você criar condições para ampliar sua rede de relacionamento marcando bate-papos informações com os colegas de classe, por exemplo.

O empreendedorismo aparece como um grande solucionador de problemas, mas não pode ser ao contrário devido a inexperiência da maioria dos maturis nesta área?

Vamos falar disso no MaturiDay. Empreendedorismo, em geral, é dividido em duas grandes vertentes: por oportunidade e por necessidade. Empreendedorismo por necessidade sempre é precário pois o “empreendedor” não tinha interesse original de empreender. É obrigado a abrir o seu próprio negócio. Muitos maturis caem nesta categoria e o que era para ser solução, se torna um problema maior ainda. Para maturis que precisam empreender por necessidade, é sempre importante buscar apoio para iniciar o negócio. Programas como o Empretec do SEBRAE se tornam quase obrigatórios para empreendedores por necessidade. Mas há muitos maturis que aproveitam suas experiências de mercado, de vida e redes de relacionamento para criar um novo negócio a partir da identificação de uma grande dor ou necessidade do mercado. Estes também devem buscar apoio, cursos e mentores, mas já começam da forma correta, ou seja, identificando uma necessidade que poderá vir a ser uma oportunidade de negócio.

Como os 50+ devem se preparar para o aumento da terceirização, trabalho intermitente e uma maior pejotização?

Não apenas os que tem mais de 50 anos, mas uma maioria crescente da população ativa trabalhará por projeto, seja terceirizado, intermitente ou como pessoa jurídica (pejotização). São as novas dinâmicas de trabalho. Cada vez mais, mais pessoas serão empreendedoras de si mesmas. Neste caso, mais do que criticar, evitar ou se negar, é preciso entender que isto é uma possibilidade de uma carreira bem-sucedida. Historicamente, há muitos profissionais liberais que brilham desta forma. Para lidar com estas novas dinâmicas de trabalho, inicialmente, como nas demais situações, é preciso cuidar muito bem da saúde física, mental e social. Saúde social é uma novidade, mas implica em criar e ampliar redes de relacionamento. Também é preciso se preocupar em construir sua marca pessoal, uma ótima reputação de um(a) profissional que entrega resultados, que agrega valor e que cria boas relações de trabalho. Também é preciso estar continuamente evoluindo como profissional, aprendendo sempre e inovando soluções.

Hoje falar de futuro, assunto a ser tratado no MaturiDay é um exercício de aposta. Como entrar nesse jogo?

Há muitos futuristas atualmente. Em geral, eu brinco que só acredito em futurista rico. Mas independentemente de quem fica prevendo o futuro, é preciso se preparar para o futuro estando aberto às mudanças, aprendendo a aprender, ampliando a rede de contatos, testando novas lógicas de trabalho, repensando as formas sobre como as coisas são feitas. Para realmente vivenciar bem o futuro é preciso ter a mente de principiante. Shunryu Suzuki, um dos principais mestres que contribuiu para a propagação do Zen Budismo no Ocidente costumava dizer que: “há muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas no do especialista.”

O que é o MaturiDay?

É um dos maiores e mais esperados eventos destinados ao público 50+ no cenário brasileiro, e tem por objetivo promover o networking para que as pessoas formem relacionamentos, reconheçam, ou criem oportunidades de negócios, além de se atualizarem perante o mundo corporativo, em um ambiente de colaboração e alegria.

Criado em 2017, tendo propiciado, desde então, inéditas e estimulantes condições de desenvolvimento e engajamento efetivo para milhares de pessoas. Antes da crise sanitária, foi realizado presencialmente em muitas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Belo Horizonte, Curitiba, Natal, Florianópolis, Porto Alegre, Recife e Brasília.

No ano passado, aconteceu a grande virada para o digital. Em outubro de 2020,  foi realizado no dia 1º de Outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa, que marcava o início das comemorações dos 5 anos da Maturi. O tema do evento “Mais que juntos, estamos conectados”, mostrou-se mais uma vez adequado. O palestrante convidado foi Wilson Poit, empreendedor, focado em estratégias de negócios, especialista e mentor de pequenas e médias empresas e atualmente, diretor-superintendente do Sebrae-SP.

No último MaturiDay de 2020, tivemos dois palestrantes mais do que inspiradores: o empreendedor Geraldo Rufino e  o diretor acadêmico da Digital House Brasil, Edney Souza (Interney) falando sobre a  importância das Redes Sociais.

Vale lembrar que assim com nas edições anteriores, nesta também haverá o momento Pitch, um espaço para apresentar aos participantes do MaturiDay o seu projeto ou empreendimento, na busca de parcerias e divulgação e as salas de networking, separadas da live, para possibilitar uma maior interação e troca de experiências entre os maturis com as mesmas afinidades e propósitos.

O MaturiDay de Outubro tem o patrocínio de Nutren Senior. Clique AQUI para fazer sua inscrição!

Serviço

MaturiDay “Novas Oportunidades de Carreira no Pós Pandemia”

Dia: 25 de outubro

Convidado: Marcelo Nakagawa

Mediação: Mórris Litvak

Horário: das 19h às 21h

Evento online ao vivo e gratuito via Zoom

Regiane Bochichi

Profissional multidisciplinar, especialista em transmídia, com sólida experiência em ações de marketing e conteúdo jornalístico, adquirida em mais de 30 anos de atuação em empresas nacionais e multinacionais do segmento de comunicação tanto em veículos como em agências.
Regiane Bochichi