Superqualificado e… descartado

“Superqualificado” é o código corporativo para muito velho, muito caro ou muito sem imaginação. E, provavelmente, “descartado” nos processos de recrutamento.

Sim, é uma afirmação chocante que, entretanto nos leva à profundas reflexões e grandes desafios, caso precisemos enfrentar situações em que nos coloquem diantes dessas “provocações”.

Quem aborda muito bem a questão em seu site Wisdom Well é Chip Conley, que para além de confirmar a existência desse preconceito, oferece orientações aos candidatos maturis em processos seletivos para se saírem bem, ante tal afirmação.

Quem é Chip Conley

 

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Chip Conley é um raro e criativo empreendedor norte-americano e autor de best-sellers do New York Times, Aos 26 anos, ele fundou a Joie de Vivre Hospitality (JdV), tendo transformado um motel na segunda maior marca de hotéis boutique da América do Norte. Após dirigir a JdV por 24 anos, foi procurado pelos jovens fundadores da Airbnb para que o ajudassem a transformar sua promissora startup na marca de hospitalidade líder mundial.

Chip foi Chefe de Hospitalidade de Estratégia Global do Airbnb por quatro anos e hoje atua como Consultor Estratégico de Hospitalidade e Liderança da empresa.

Inspirado no trabalho dos famosos psicólogos Maslow e Frankl, seus livros “PEAK” e “Emotional Equations” compartilham teorias sobre transformação e significado nos negócios e na vida. Outra obra, “Wisdom @ Work: The Making of a Modern Elder”, foi baseada em suas experiências pós-50 anos como mentor e estagiário inesperado no Airbnb. (Leia o artigo que escrevi sobre a Hierarquia das Necessidades segundo a sua década de vida, baseado em Conley.)

Fundou a Modern Elder Academy (MEA) – a primeira escola de sabedoria para maturis do mundo, localizada no México e nos EUA.
“MEA oferece um ambiente para as pessoas reinventarem a meia-idade como um momento de aprendizagem, crescimento e transformação positiva por meio de workshops imersivos e licenças sabáticas.”

Como se deve agir para não ser tratado como superqualificado … e descartado posteriormente?

Em sua publicação intitulada “Overqualified…Under-appreciated” Chip afirma que na maioria das vezes estas “pressuposições” colocadas em processos de recrutamento se relacionam com a idade. “O fato é que a maioria das empresas deveria querer alguém superqualificado, especialmente se esse talento tiver um preço justo. É o candidato a emprego, e não a empresa, que precisa determinar se ele é superqualificado, ou não.”

Em Wisdom@Work, detalha uma variedade de mitos ou estereótipos sobre maturis no trabalho, além de inúmeros insights e sugestões para nos ajudar a sermos um Modern Elder. Para que saibamos o que dizer a um entrevistador que nos chame de “superqualificado”, Chip nos traz algumas orientações vindas de um recrutador de executivos amigo seu:

Três atitudes a tomar em uma entrevista se ouvir a palavra “superqualificado”

1. Em primeiro lugar, se você conseguir uma entrevista presencial ou por vídeo, (já tendo passado por alguns dos filtros relacionados à idade), mostre-se apaixonadamente interessado na vaga e com muita curiosidade. Como o recrutador me disse, esse tipo de energia é atemporal e eterna, ou como ele disse: “Eles não vão necessariamente notar suas rugas porque ficarão muito impressionados com sua energia e paixão.”

2. Se eles disserem, ou sugerirem, que você possa ser superqualificado, considere se isso está correto e se este trabalho específico é mesmo o que você quer.
Por outro lado, se você está simplesmente procurando estar dentro desta empresa, deixe isso claro para os recrutadores. Resumindo: gerencie as expectativas.

3. Considere dizer o seguinte, sem ser muito arrogante ou confrontador:
“Não acho que eu seja superqualificado, mas eu poderia ser subestimado. Eu sou o que eles chamam de “modern elder” alguém tão curioso quanto sábio, e posso oferecer uma produtividade invisível o que significa tornar melhor as pessoas ao meu redor. Além disso, conforme evidenciado no estudo do Google’s Project Aristotles, a variável mais comum das equipes mais bem-sucedidas é a segurança psicológica e, devido a nossa Inteligência Emocional ser crescente ao longo de nossa carreira, trabalhadores mais velhos como eu são adequados para criar equipes muito eficazes”.

Chip ainda alerta: “Claro, você vai parafrasear e tornar a linguagem sua, e não tenha medo de falar a sua verdade.”

 

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Projeto Aristóteles

Chip Conley menciona em seu artigo o Google’s Project Aristotles, estudo realizado por seus pesquisadores para descobrir os segredos de equipes eficazes na gigante das buscas. É uma lembrança de que, quando empresas tentam otimizar tudo, constantemente esquecem que o sucesso é construído em cima de experiências — como interações emocionais, conversas e discussões sobre quem queremos ser e como nossos colegas nos fazem sentir.

Chamado de Projeto Aristóteles – um tributo à citação de Aristóteles, “o todo é maior do que a soma de suas partes” (já que os pesquisadores do Google acreditam que os funcionários podem trabalhar mais e melhor juntos do que sozinhos) – o objetivo desse projeto era responder à pergunta: O que torna uma equipe eficaz no Google?

Para saber mais desse projeto que desvenda os segredos do trabalho em equipe, clique aqui (em inglês).

Recomendo ler “Wisdom @ Work: The Making of a Modern Elder”, e acompanhar as publicações de Chip Conley subscrevendo a Wisdom Well que sempre traz insumos muito positivos para a nossa vida de maturi.

Você pode se interessar também por outro tema baseado em Conley: Relevância substitui a Reverência.

Silvia Triboni

Editora e Produtora de conteúdo em Longevidade e Turismo. Fundadora do projeto Across Seven Seas, que divulga ao público 50+ informações e experiências para envelhecimento com relevância. Deputy Ambassador na Aging2.0 Lisboa, comunidade destinada à acelerar a inovação para enfrentar os desafios e oportunidades do envelhecimento.
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