Silver Tech é tecnologia para os 50+

As pessoas estão envelhecendo e se tornando mais experientes em tecnologia. Isso gera um mercado crescente para idosas e idosos, o chamado “Silver Tech” (tecnologia prateada).

Mas o que é Silver Tech? O censo norte americano divulgou, em junho último, que a população com 65 anos ou mais cresceu 34,2% desde 2010. No estado de São Paulo, segundo levantamento da Fundação Seade, a população idosa com mais de 65 anos vai crescer 3,7 vezes e quase quadruplicar até 2050, devendo se igualar em 2034 ao número de jovens de até 15 anos.

De acordo com uma pesquisa da American Association of Retired PersonsAARP (Associação Americana dos Aposentados), a AARP 2020 Tech Survey, adultos com mais de 50 anos estão adotando novas tecnologias, como smartphones, wearables, assistentes domésticos inteligentes, aproximadamente, no mesmo ritmo que as pessoas de 18 a 49 anos.

À medida que idosos se encontram mais isolados – de amigos e familiares – devido à Covid-19, é evidente que o uso de novas tecnologias e da Internet por esta geração mais velha está aumentando.

Para atender à crescente demanda pela Silver Tech, startups estão surgindo no mundo todo. Têm como objetivo desde melhorar o transporte e a mobilidade e aumentar a conectividade virtual, até possibilitar a telemedicina, entreter e fornecer serviços financeiros virtuais.

A telessaúde deu um grande salto em março, quando a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que autoriza o uso da telemedicina no Brasil – em quaisquer atividades da área de saúde, enquanto durar a crise da Covid-19. O suporte diagnóstico de forma remota permitirá a interpretação de exames e a emissão de laudos médicos a distância. O Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir a teleorientação, o telemonitoramento do paciente e a teleconsulta, também durante o combate ao coronavírus.

Nos Estados Unidos o Departamento de Saúde e Serviços Humanos anunciou nova regulamentação para aumentar o acesso à saúde. Um passo importante foi aumentar as taxas de reembolso pela utilização da telemedicina.

Recente pesquisa da McKinsey revelou que os consumidores esperam aumentar, em mais de 30%, suas compras online de produtos de higiene pessoal, medicamentos e fitness. A pesquisa também indicou que o interesse dos consumidores em telessaúde aumentou para 76% após a pandemia, enquanto que em 2019 era de apenas 11%. Este acréscimo abre, nos EUA, um novo mercado gigante com valor estimado de US $ 250 bilhões.

A inovação e o interesse em Silver Tech é variada, numerosa e global. O Japão – com mais de 68.000 pessoas acima de 100 anos – se deparou com a necessidade de implantar drones para a entrega de medicamentos a idosos em áreas remotas que se tornaram inacessíveis após desastres naturais.

Silver Tech photo
Crédito da imagem: Louise Morse

Aqui no Brasil, o curso Descomplicando ferramentas digitais para maduros, lançado pela MaturiAcademy, esgotou as vagas muito antes do início. Este resultado é a demonstração inequívoca do interesse dos maturis no uso mais frequente da tecnologia. Regiane Bochichi em seu artigo Saber usar as ferramentas digitais se tornou obrigatório nos mostra a importância de saber utilizar a internet com a possibilidade de aumentar a produtividade no trabalho e nos negócios.

Na Live realizada em 13/8 com ONGs beneficiadas com doações pelo MaturiFest pudemos perceber a importância do uso da tecnologia para que idosas e idosos em situação de risco ou vulnerabilidade, sob restrições do isolamento social, pudessem continuar a ser atendidos em suas residências. As instituições – mesmo com receitas menores – puderam manter contato com assistidos e assistidas. Uma delas comprou – com as doações recebidas – acessos à Internet criando oportunidade para que todos se mantivessem conectados com amigos, amigas e profissionais responsáveis pelo atendimento.

Assista Aqui a live:

Daqui para frente, instalações para idosos e idosas irão acelerar o ritmo de investimento em tecnologia principalmente em conectividade à Internet de alta velocidade, tecnologia sem fio, tablets, webcams e fones de ouvido. Os familiares puderam sentir a melhora no humor e na disposição dos mais velhos pelo permanente contato, mesmo que a distância. Robôs de desinfecção, que usam luz ultravioleta para destruir vírus, como o coronavírus, ainda nos parece filme de ficção, mas como já são utilizados nas casas de longa permanência no Estados Unidos e Canadá, não demorarão a chegar aqui.

Todos estes exemplos nos mostram o espaço crescente que a Silver Tech ocupa dentro do setor, mas ainda há muito a fazer e espaço para crescer. No entanto, isto somente acontecerá se as várias barreiras forem eliminadas e as condições se tornarem favoráveis. E para isso, é muito importante que empreendedores estejam dispostos a se arriscar no lançamento de novos produtos e serviços. Sem dinheiro disponível para financiar este desenvolvimento nada acontecerá. Entretanto, sem profissionais inovadores e conhecedores da população nesta faixa etária, nada poderá ser feito.

Estes profissionais precisam ter competências pessoais voltadas para o pensamento inclusivo, para a flexibilidade, sensibilidade, fluência nas ideias, alteridade e empatia. Neste caso, nada mais indicado que pessoas 50+ que preencham estes requisitos, pois além das competências carregariam o conhecimento e autoconhecimento das dores e incômodos que afligem idosas e idosos.

O artigo de Suzy Taherian foi publicado originalmente na Forbes que você pode acessar AQUI. 

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Walter Alves

Consultor social sobre diversidade e inclusão de pessoas 50+ no trabalho. Educador, facilitador em workshops e consultor em programas de diversidade e inclusão. Dedica-se, desde 2012, ao tema longevidade e preconceito etário. Parceiro da Maturi, onde escreve semanalmente para o blog. Produziu e apresentou o programa de entrevistas Trabalho no Futuro.
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