Diversidade etária como impulsionadora da inovação nas empresas

Hoje, para quem pensa nas questões do trabalho e no trabalho no futuro, há um consenso: a diversidade etária nas equipes é um dos pilares que fundamentam o sucesso das organizações. Neste complexo mercado, os diferentes olhares são instrumentos imprescindíveis para a proximidade com os consumidores e o atingimento das necessidades e  expectativas de fregueses(as).

Para o enfrentamento de concorrentes, de novos e antigos desafios é necessário que os funcionários sintam-se motivados e preparados e que a direção tenha confiança no que pensam e produzem. Contar com uma equipe diversa é fator preponderante para que os recursos escassos – atualmente, todos são escassos – possam ser bem utilizados e que o resultado – do  que foi pensado e planejado – seja o sucesso esperado.

A montagem das equipes exige experiência, vivência, sensibilidade e conhecimento – tanto de perfis técnicos quanto dos socioemocionais exigidos como atributos mínimos para a execução de tarefas a que este conjunto de pessoas deve se responsabilizar.

Colocar lado a lado pessoas com características muito diferentes que, quando somadas, produzam o resultado esperado é um desafio que somente algumas e alguns respondem positivamente e entre estes e estas estão as pessoas 50+.  Além de representantes da diversidade etária acumularam imensa quantidade de horas na liderança de pessoas e na gestão de processos. Portanto, nada mais indicado que os maturis ocupem esse cargo e exerçam essa função.

A diversidade etária de componentes das equipes, também, é de grande importância, pois as pessoas 50+ têm, comprovadamente, aumento na capacidade de entender e reconhecer emoções nos outros, o que torna mais fácil a percepção do que os outros estão pensando e querendo. O acúmulo de conhecimento, nesta fase de vida pode ser usado com mais eficiência.

diversidade etária

Utilizar um dado novo, relacioná-lo com o já vivido e entregar nova análise facilita a discussão de novas ideias e opiniões.

A inovação é outro pilar em que a necessidade é permanente. Atualmente, não há uma empresa sequer que não tenha como prioridade a inovação de seus produtos, processos e serviços. Se me permitem, aqui cabe uma digressão: a imagem romântica que se tem de inovação é a maior barreira para que ela ocorra. Muitas pessoas ainda acreditam que inovadores são empresários como Elon Musk, Jeff Bezos, Steve Jobs, Bill Gates ou Michael Dell. Nada mais enganador.

Segundo Kaihan Krippendorff, autor do livro Driving Innovation from Within: A Guide for Internal Entrepreneurs (Impulsionando a inovação: um guia para empreendedores internos, em tradução livre), o mito é reforçado pela igualdade de perfis, “[…] todos são homens brancos e as narrativas são parecidas. Eles têm a ideia na faculdade. Às vezes se formam, às vezes não. Quase sempre se isolam em suas cavernas, que normalmente é a garagem – como Google e HP fizeram -, e montam um pequeno time. Então, desenvolvem a tecnologia, saem da caverna, compartilham e causam a disrupção. Essa história se encaixa na jornada do herói”.

Em entrevista exclusiva ao Valor Econômico e após análise das 30 inovações mais transformadoras das últimas três décadas, Kaihan Krippendorff descobriu que “[…] se você seguir a trilha de quem concebeu a ideia, vai perceber que 70% não são empreendedores, mas funcionários. A internet, o e-mail, o sequenciamento de DNA, o celular, as imagens de ressonância magnética, o stent, os grandes avanços em energia solar, os grandes avanços em energia eólica… Eles foram criados por funcionários em 70% das vezes. […] De certa maneira, os funcionários inovadores se parecem com empreendedores: são pensadores inovadores, tomam atitudes autônomas, têm forte consciência de mercado. Elas sabem o que está acontecendo no meio e do que o consumidor precisa”.

Reafirmo: se as características necessárias para um trabalhador ou líder ser reconhecido como inovador são conhecimento do mercado, dos produtos e dos consumidores nada mais apropriado que os profissionais 50+. É certo que pensamento disruptivo e comportamento transgressivo, também, fazem parte do perfil de inovadoras e inovadores. Está mais que demonstrado que representantes da diversidade etária têm estes atributos na medida certa, na medida de suas maturidades.

Ainda se ouve, lá e cá, o discurso que as pessoas 50+ estão ultrapassadas para o trabalho nas organizações contemporâneas. Isto demonstra, às vezes, fidelidade ao mito que os profissionais aos 50 anos estão acabados e, em outras vezes, o receio de mostrar-se desatualizado ou desatualizada na mais recente novidade de método gestão.

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Foi pensando na fidelidade ao mito e na dúvida de gestores e gestoras e por conhecer e reconhecer a capacidade de trabalho dos profissionais 50+ é que a Maturi produziu e lançou o Guia da Diversidade Etária para Líderes.

Um dos objetivos do e-book é o de levar aos responsáveis pela gestão das organizações segurança e tranquilidade para que, ao escolherem a inclusão dos 50+ como o caminho, façam a melhor contratação e a mais eficiente gestão da diversidade etária. O download gratuito pode ser feito aqui.

Depois da leitura, comente o que achou do e-book ou mesmo como ele ajudou – ou poderia ajudar – se fizesse tal ou qual abordagem. Mais que aberto às críticas, elogios e sugestões estamos compromissados com a diversidade etária por acreditarmos que é o caminho seguro para a formação de equipes diversas e a inovação de produtos, processos e serviços.

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Cultura organizacional e preconceito etário

Walter Alves

Consultor social sobre diversidade e inclusão de pessoas 50+ no trabalho. Educador, facilitador em workshops e consultor em programas de diversidade e inclusão. Dedica-se, desde 2012, ao tema longevidade e preconceito etário. Parceiro da Maturi, onde escreve semanalmente para o blog. Produziu e apresentou o programa de entrevistas Trabalho no Futuro.
Walter Alves

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