As gerações e os aprendizados nos tempos de crises

 A caracterização de uma geração, mais do que os referenciais de datas de nascimento, é fundamentalmente construída pelas vivências e situações ocorridas na fase de sua formação. Os fatores econômicos, políticos, culturais e sociais presenciados pelo conjunto de indivíduos, influenciam fatalmente a sua forma de ver e compreender o mundo e por consequência, a sua tomada de decisão. Com certeza as experiências posteriores à fase de formação de uma nova geração trarão novos referenciais e necessidades de ajustes e adaptações. 

Com relação ao universo do trabalho, conseguimos perceber essas influências. A entrada da geração Baby Boomer no mercado aconteceu em momentos de forte urbanização e de ciclos de crescimento econômico, aliados a uma visão de carreira a longo prazo, de preferência permanecendo numa mesma boa empresa até se aposentar. Esse cenário de previsibilidade começou a ser alterado pela crise do petróleo no início dos anos 1970 e continuou a ser intensificado com as sucessivas crises econômicas vividas nas décadas seguintes. Essa evolução obrigou essa geração a se ajustar a um ambiente de incertezas e mudanças, requerendo ajustes nos seus referenciais de carreira. 

Já a geração X entrou no mercado de trabalho exatamente no auge das crises e mudanças de planos econômicos. Com um maior nível de formação acadêmica, essa geração encontrou um mercado recessivo e com oportunidades de carreira em poucos setores. Esse cenário levou esses profissionais aprenderem a cuidar e conduzir a sua carreira de forma, assumindo o seu controle. A carreira passou a ser do profissional e não mais condicionada a um vínculo com uma empresa, mas sim nas oportunidades. 

Com a estabilização econômica no Brasil e os impactos do processo de globalização o cenário do ambiente de trabalho foi sendo alterado, refletindo na economia os resultados da estabilização da moeda e ampliando as oportunidades de desenvolvimento das carreiras. É nesse cenário que a geração Y se inseriu no mundo do trabalho. Exatamente num período de escassez de mão de obra, aumento da demanda por profissionais e ambientes organizacionais voltados a atrair e reter esses profissionais. 

No momento em que o cenário econômico e político brasileiro se deteriorou trazendo um ciclo de crise ao país, a geração Y acabou tendo que viver pela primeira vez na sua formação, um período de dificuldades e obstáculos à evolução da sua carreira. Descobrindo que as empresas também fazem corte de pessoas, reveem as prioridades de seus projetos, adiam investimentos, fazem ajustes nos programas de benefícios e também nos seus planos de desenvolvimento.

Essa situação confirma a máxima de que nas crises podemos aprender muito. Apesar de aspectos e impactos das crises, essa com certeza será uma grande oportunidade para todos aprendermos a enfrentar as dificuldades e os obstáculos, mantendo o equilíbrio e encontrando maneiras de atravessar esse período. Talvez seja o momento de intensificar a descoberta de novos caminhos. 

Cabe no momento relembrarmos alguns pontos que às vezes esquecemos, mas que as crises nos fazem relembrar: 

1- O princípio básico da economia é a confiança dos agentes econômicos;

2- A vida funciona em ciclos; 

3- Política e economia são indissociáveis, e extremamente inter relacionados;

4- É sempre tempo de se reinventar profissionalmente…

 

Vamos juntos?

#RevoluçãoMaturi 

Fernando Dias

Carreira desenvolvida e consolidada na área de Recursos Humanos, com atuaçãoem consultoria, posições executivas e na área acadêmica, focada na construção e implementação de ações que contribuam com a evolução das práticas de gestão de pessoas.
Atuação em empresas dos segmentos químico, energia, telecomunicações, farmacêutico, engenharia e construção, aeronáutico, siderurgia e metais, serviços, finanças e varejo em empresas multinacionais e nacionais.
Consultor de Carreira e Desenvolvimento Humano, conduzindo projetos de desenvolvimento organizacional, desenvolvimento de lideranças e talentos, programasde desenvolvimento de competências (coaching), programas de planejamento de vida e carreira e longevidade, desenho de modelos de competências, gestão de mudanças e desenvolvimento de famílias empresárias.
Fernando Dias

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