Chief Elder Officer: a função que conecta maturis ao interesse das empresas

Recentemente, em uma das comunicações de um grupo internacional focado em inovação e economia da longevidade, o Aging2.0, constou a menção a uma função corporativa que me despertou profundo interesse: “Chief Elder Officer” (o equivalente em português a Diretor Ancião ou Diretor Maduro) .

  • Que função seria essa, cujo ocupante deve ser um maturi?
  • Quais habilidades esse diretor precisaria ter para ser um Chief Elder Officer – CEO?
  • Que tipo de organização pode se interessar pelo trabalho deste CEO?
  • Quais já possuem esta função em sua estrutura organizacional?

Eu já sabia da existência de inúmeros novos e inovadores cargos de liderança relacionados ao bem-estar do homem, por exemplo: Chief Wellness Officer; Chief Happiness Officer, Chief Wisdom Officer,  Chief Mindfulness Officer, Chief Ecosystem Officer, mas sobre o Chief Elder Officer eu nunca ouvira falar.

Pelo contexto em que estava empregado, primeiramente identifiquei um papel que o ocupante desta função deve desempenhar, qual seja o de organizar e viabilizar um processo de envolvimento sistemático dos adultos mais velhos da sua organização com os seus gestores, de modo a permitir ampla atenção destes às necessidades de seus membros idosos.

Adicionado ao primeiro papel, e como consequência deste relacionamento sistematizado entre idosos e gestores, constatei outro trabalho do Chief Elder Officer: proporcionar à sua instituição a disponibilização de serviços de interesse dos empreendimentos relacionados à economia da longevidade. Tais corporações precisam validar suas ideias com o respectivo cliente, demanda que faz do Chief Elder Officer o profissional de maior legitimidade para apresentar o público-alvo correto ao empresário que quer confirmar a aceitação de seu produto/serviço.

Daquela pequena mensagem pude antever o grande valor desta inovadora função corporativa no cenário da atividade econômica dirigida às necessidades dos seniores e da promoção da longevidade positiva. Fui à busca de mais informações as quais ora apresento.

Afinal, o que faz um, ou uma Chief Elder Officer?

Em suma, o ocupante do cargo de Chief Elder Officer deve ajudar a moldar a agenda de inovação de uma empresa.

Ele tem por obrigação conhecer e aprofundar o seu relacionamento com os integrantes idosos de suas comunidades, e compartilhar o resultado de suas experiências com os superiores de sua própria organização, com o objetivo de aperfeiçoamento de programas e serviços internos.

Igualmente, ele está legitimado a oferecer a sua expertise para a criação de produtos ou serviços destinados ao interesse dos adultos mais velhos.

As atribuições do Chief Elder Officer não se esgotam aqui.

Da pesquisa realizada, identifiquei CEO’s a representarem legítima e consistentemente o encargo a que foram destinadas, e cujos depoimentos nos mostram que suas funções vão muito além do mencionado acima.

Conheça algumas Chiefs Elders Officers

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“Não tema o futuro, ajude a moldá-lo”, afirma “Hurricane Hazel” McCallion.

Hazel McMallion, 99 anos.

É Chief Elder Officer da Revera, um provedor privado de acomodação, cuidados e serviços para idosos, com mais de 500 propriedades em todo o Canadá, EUA e Reino Unido, cuja matriz está sediada em Mississauga, Ontario, Canadá.

Hazel lidera discussões com residentes e funcionários em todas as comunidades da empresa e apresenta insights para a equipe de liderança da Revera, e para o seu Conselho de Administração, sobre como enriquecer a vida dos residentes e envolver a equipe, além de contribuir para iniciativas que desafiam o preconceito etário.

Trabalha diretamente com o Senior Vice President of Innovation da Revera, Trish Barbato, e oferece suas opiniões para ajudá-los a ter sucesso em seus papéis de líderes.

Seu papel, conforme ela mesmo explica em entrevista concedida ao Senior Living Innovation Forum, em 2019, é advogar e atuar como um canal para os residentes da Revera.

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June M. Fisher, 87 anos.

A Dra. June Fisher, tem 85 anos, é médica aposentada, ex-professora da Stanford e  Chief Elder Officer no Aging2.0. Atua como mentora de estudantes de design na San Francisco State University e na University of California, Berkeley, e dá consultoria a startups em design e mobilidade.

Em um painel de discussão sobre envelhecimento com segurança e felicidade, a Dra. Fisher expressou sua frustração com os jovens empreendedores da área do envelhecimento que não têm contato com as necessidades de seu público alvo.

“Fico zangada com esses jovens de 20 anos que me dizem que sua tecnologia mudará nossas vidas sendo que eles nem conhecem os nossos desejos e necessidades”, disse Fisher no Annual d.Health Summit, ocorrido em 2017, em New York City, Estados Unidos.

Em evento do Aging2.0, em San Francisco, em 9 de setembro de 2015, Dra. June Fisher foi juíza de uma competição de pitch, e teceu comentários diretos às startups interessadas em empreender na área de serviços e produtos relacionados ao envelhecimento.

Naquela oportunidade a CEO do Aging2.0 observou que a maioria dos argumentos de venda apresentados pelos empreendedores ignoraram o que o idoso realmente precisa. Este descuido leva à concepção de produtos que atendem de forma inadequada as necessidades do idoso. De forma incisiva, a Dra. Fisher assim concluiu a sua participação: “Projete COMIGO, não PARA mim!”

Adequação de produtos e serviços para o sênior

Em 2018, Stephen Johnston, co-fundador da Aging2.0, plataforma sediada em São Francisco e dedicada ao desenvolvimento de produtos e serviços inovadores para o mercado sênior, foi ao Brasil palestrar no XIII Fórum da Longevidade Bradesco Seguros.

Em sua palestra, Stephen foi categórico ao afirmar: a tecnologia é uma aliada na busca por um melhor envelhecimento. Entretanto, ao destacar a importância do trabalho da Dra. June Fisher, Chief Elder Officer da Aging2.0 acrescentou:“a tecnologia tem algumas, mas não todas as respostas. Recentemente, dei uma palestra no Google com a nossa Chief Elder Officer. Percebemos que, pelo Google Maps, não conseguíamos encontrar lugares com acessibilidade para cadeira de rodas. Seria fácil melhorar isso com a tecnologia.”. Gadgets e aplicativos não farão milagre se a sociedade não mudar sua visão preconceituosa do envelhecimento, disse Johnston.

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Stephen Johnston, co-fundador da Aging2.0 com a Chief Elder June Fisher.

Digamos SIM ao Chief Elder Officer

Não há dúvida de que a longevidade é um dos grandes desafios do século XXI.

Jamais, em todos os tempos, tantos indivíduos podiam atingir uma idade tão avançada. A expectativa de vida aumentou enormemente em todos os países do mundo.

Essa conjuntura transportou o segmento etário dos idosos a uma relevante posição na dinâmica econômica, face a sua representatividade no consumo de bens e serviços.

Posto isso, o diálogo entre empresas participantes da economia da longevidade e o público maduro torna-se imprescindível, a justificar a inserção do Chief Elder Officer na equação mercadológica da oferta/demanda

Portanto, digamos SIM à presença do Chief Elder Officer nas organizações, o profissional que há de valorizar a pessoa mais velha perante o interesse econômico, e, consequentemente, toda a sociedade.

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Até o próximo artigo!

Silvia Triboni

Editora e Produtora de conteúdo em Longevidade e Turismo. Fundadora do projeto Across Seven Seas, que divulga ao público 50+ informações e experiências para envelhecimento com relevância. Deputy Ambassador na Aging2.0 Lisboa, comunidade destinada à acelerar a inovação para enfrentar os desafios e oportunidades do envelhecimento.
Silvia Triboni