Boas práticas para combater o etarismo e facilitar a inclusão dos 50+

Todos sabemos que o preconceito de idade é nocivo para a sociedade, em um mundo em constante evolução. Por isso, mudanças na maneira como falamos ou escrevemos sobre o envelhecimento e pessoas idosas podem ter impactos positivos e transformadores. Pesquisei e trago agora algumas “Boas práticas para combater o etarismo e facilitar a inclusão dos 50+”. Um guia que poderá ajudar na elaboração de uma linguagem correta e inclusiva, com objetivo de desafiar o preconceito etário, esteja ele onde estiver!

É de conhecimento geral que o etarismo ou preconceito etário (infelizmente) está generalizado na sociedade e pode ser encontrado em todos os lugares, desde rodas de amigos ou família, empresas e até nos estereótipos que vemos na mídia, seja na TV ou nas redes sociais.

Na maioria das vezes a linguagem e as imagens transmitem significados que alimentam suposições e julgamentos preconceituosos e o que eu quero com esse guia é dar a confiança necessária para desafiarmos o idadismo (outra palavra infeliz) e valorizarmos as representações positivas e realistas do envelhecimento que nos cerca.

etarismo

As boas práticas apontadas no artigo, são uma síntese de materiais publicados na Campanha Global de Combate ao Etarismo, da OMS Organização Mundial de Saúde, que visa melhorar a comunicação, e evitar o preconceito de idade em mensagens e imagens que usamos; pelo Centre for Ageing Better, uma fundação do Reino Unido destinada ao combate ao idadismo e valorização dos direitos humanos da pessoa idosa; e para a apresentação do Glossário Coletivo de enfrentamento ao Idadismo, criado pela Consultoria Longevida cujo objetivo é promover a cidadania da pessoa idosa no Brasil, com termos, expressões e depoimentos que denotam preconceito contra a pessoa idosa.

Ressalto, portanto, a importância da leitura na íntegra das referências acima mencionadas, com vistas ao conhecimento de todas as orientações que apresentam.

 

1 – Troque associações do envelhecimento a fragilidades, vulnerabilidades ou dependências

Não se concentre apenas em retratos da velhice como um tempo de fragilidade, ou como um estágio de vida associado a gostos particulares, por exemplo, o tricô. Ser mais velho não significa necessariamente ser frágil, vulnerável ou dependente. Pessoas mais velhas continuam a ser ativas e participativas e contribuem de várias maneiras em seus locais de trabalho, comunidades e sociedade.

Adote representações realistas do envelhecimento:

– Dê voz aos adultos mais velhos

Histórias pessoais e as experiências dos adultos mais velhos podem dar destaque ao valor que há na diversidade etária.

Não reforce ideias de ‘envelhecimento bem-sucedido’ menosprezando as demais vivências. A forma como nós envelhecemos é frequentemente mais um produto do nosso ambiente do que de escolhas pessoais.

Use uma linguagem neutra e precisa

Evite termos que possam ser vistos como estigmatizantes, bem como aqueles que tenham sido usados com sentido pejorativo ou que estejam associados a uma competência inferior.

Evite dizer

Não se refira a alguém como “Vô, Vó” (a menos que sejam seus avós verdadeiros). Não chame as pessoas dos lares, ou institutos de longa permanência, de ‘pacientes’. Há pessoas que vivem nestes locais por opção. Mesmo onde a ajuda e assistência seja necessária à pessoa, evite esta expressão.

Evite usar termos e linguagem que evoque pena e faça adultos mais velhos parecerem um grupo separado do resto da sociedade.

EXPERIMENTE

O termo adulto(s) mais velho(s); pessoa(s) mais velha(s) ou pessoa(s) idosa(s) são respeitosos e devem ser o padrão se forem claros e precisos ao se fazer referência à idade de alguém. Se possível, pergunte às pessoas que termos preferem.

Quando for relevante ser específico quanto à idade use: pessoas com 60 anos ou mais, etc.

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 2 – Evite o etarismo compassivo

A linguagem deve mostrar uma compreensão sobre a situação das pessoas, sem ser compassiva, estereotipada ou paternalista. É melhor usar uma linguagem objetiva e não enfocar apenas a idade, a deficiência ou outros estereótipos associados a diferentes faixas etárias.

Esteja atento ao preconceito compassivo, bem intencionado, de mentalidade paternalista, onde pessoas idosas são retratadas como vulneráveis e que requerem proteção.

Evite dizer

Não use termos como ‘querida’, ‘jovem de coração’, ou ‘vó, ou vô’. Sempre se refira às pessoas por seus nomes.

Não declare a idade de alguém, a menos que seja relevante. No entanto, se deve dizer a idade de alguém, seja específico.

Evite linguagem sensacionalista negativa, do tipo: ‘vulnerável’, ‘desesperado’ e “apavorado” ou positiva, por exemplo: ‘amado’ e ‘sorridente’.

3 –  Não alimente conflito entre gerações

A ideia de um ‘conflito intergeracional’ tem ganhado relevo na sociedade. Há quem não concorde que os benefícios para as pessoas mais velhas custem tanto às pessoas mais jovens.

Evite dizer

Evite metáforas que apresentem o envelhecimento em termos de crise.

Metáforas refletem uma percepção da geração baby boomer como um fardo social. Certos enquadramentos evocam imagens de um número incontrolável de adultos mais velhos que representarão um problema para a sociedade.

Evite as seguintes expressões:

– Tsunami prateado

– Penhasco demográfico

– Bomba-relógio demográfica

EXPERIMENTE

Posicionar as informações sobre o envelhecimento da população de forma neutra, a permitir uma apresentação equilibrada das oportunidades e desafios associados à transição demográfica.

4 – Escolha as imagens com cuidado

As Imagens usadas ao lado de histórias sobre as pessoas idosas frequentemente são caricaturas sobre o envelhecimento. É importante mostrar representações positivas e que refletem a realidade da vida desses indivíduos.

Evite

Imagens com com adultos mais velhos a fazer paraquedismo ou com mãos enrugadas entrelaçadas. O uso generalizado deste tipo de imagem é desumanizante. Embora isso possa refletir algumas das realidades das pessoas mais velhas, não representa todas as realidades que vemos na velhice.

Experimente dar prioridade às imagens mais positivas e diversificadas que possam ilustrar melhor as diferentes realidades das populações mais velhas. Fuja do lugar comum.

5 – Evite generalizações

Ter a mesma idade não significa que se é igual. Na verdade, tornamo-nos cada vez mais diversificados à medida que envelhecemos. Apesar dessa realidade, pessoas mais jovens e mais velhas tendem a ser retratadas de forma homogênea como uniformemente frágeis, vulneráveis e dependentes, ou invencíveis e ativas. As nossas experiências de vida e capacidades intrínsecas são apenas parcialmente correlacionadas com a nossa idade. Portanto, assumir que todas as pessoas de uma determinada idade são iguais não reflete com precisão o mundo ao nosso redor.

Evite fazer descrições generalizadoras se referindo às pessoas mais velhas como ‘eles’ ou ‘deles’.

Pronome como “eles” e “deles” retratam pessoas mais jovens e mais velhas como se fossem um grupo separado e não parte de nossa sociedade.

EXPERIMENTE

Sempre que possível, tente usar uma linguagem inclusiva. Substitua “eles” ou “deles” por “nós” ou “nosso”.

6 – Adote o Glossário Coletivo de enfrentamento ao etarismo

Este glossário é mais uma ferramenta educativa criada pela Consultoria Longevida, no bojo das ações da Campanha de Enfrentamento ao Idadismo chamada “Lugar de pessoa idosa é onde ela quiser”.

O valioso material aqui apresentado foi produzido de forma colaborativa, com importantes parceiros, e reúne termos, expressões, frases e situações que revelam como o etarismo e o preconceito contra a pessoa idosa e a necessidade de inclusão, estão presentes em nosso dia-a-dia.

O melhor, muito de seu conteúdo foi apresentado, voluntariamente, por pessoas idosas, as quais relataram a linguagem preconceituosa, ou idadista, que mais a magoam, ou incomodam.

*Vale a pena fazer o download gratuito do Glossário Coletivo de enfrentamento ao idadismo. Clique AQUI. 

Você também poderá gostar de ler: Etarismo: um novo nome para um velho preconceito.

Silvia Triboni

Editora e Produtora de conteúdo em Longevidade e Turismo. Fundadora do projeto Across Seven Seas, que divulga ao público 50+ informações e experiências para envelhecimento com relevância. Deputy Ambassador na Aging2.0 Lisboa, comunidade destinada à acelerar a inovação para enfrentar os desafios e oportunidades do envelhecimento.
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