Seis perguntas sobre crédito que você deve fazer antes de se endividar

Listamos aqui o caminho das pedras sobre financiamento e linhas de crédito, mas antes de mais nada é preciso saber se seu negócio precisa mesmo de capital externo.

Quem vai empreender, a primeira pergunta que vêm na cabeça e acaba se tornando um empecilho é: onde vou arrumar dinheiro?

Muitos empreendedores entendem captação de investimento como um passo essencial na trajetória de todo negócio. Na verdade, nem todo negócio de sucesso precisa recorrer à captação seja ele um pequeno estabelecimento, uma startup e até uma franquia.

“Quando olhamos para os grandes unicórnios e suas tecnologias de ponta, podemos interpretar de maneira equívoca que essas empresas começaram já com estruturas robustas e investimentos milionários em suas soluções” ensina Fabiana Moreno Dumont Goulart, gestora de aceleração da Quintessa.

“Na verdade, o caminho tradicional de uma start-up começa com uma estrutura enxuta, na qual o único foco das energias é a validação de premissas antes de realizar grandes investimentos. Resumindo, não só é possível como muito comum começar uma empresa sem grandes estruturas ou investidores por trás!”

Por isso, respire! E antes de mais nada, entenda se é hora de recorrer a terceiros e se sim, quais são os próximos passos até pagar a dívida.

Preparamos as respostas para as principais dúvidas que surgem para que você possa montar seu negócio sem fazer do crédito um bicho-papão.

A primeira pergunta e mais importante: preciso de um investidor?

A resposta é: depende. Via de regra, para se iniciar um novo negócio a opção adequada é possuir recursos próprios para dar vida àquele empreendimento e buscar recursos externos para estruturação ou aperfeiçoamento do projeto.

A busca por investidores se torna necessária em alguns momentos distintos:

1ª- Não tenho nenhum recurso próprio disponível, e preciso recorrer a empréstimo ou abrir a sociedade para um sócio investidor – aquele que poderá participar apenas com a representação financeira e não operacional na empresa.

2ª- Possuo uma ideia inovadora, que tem alto potencial de crescimento e não tenho recursos para investir nesse potencial negócio – necessidade de buscar investidores que sejam aderentes ao meu projeto para que seja possível escalar o negócio.

3ª – Tenho uma empresa consolidada, que necessita de investimentos para crescimento e expansão. Neste caso, buscarei investidores no mercado ou recursos em instituições financeiras para viabilizar esse projeto.

4ª – Tenho uma empresa consolidada, que necessita de recursos para se manter ativa, exclusivamente para cobrir suas obrigações em aberto durante determinado período e não tenho fundo de reserva ou ativos imobilizados para transformar em liquidez no caixa – necessidade de acessar linhas de crédito para capital de giro ou buscar novos sócios investidores que acreditem no potencial da empresa.

“Para quem começa do zero e precisa investir em estrutura, máquinas e equipamentos, e possui recursos limitados, o ideal é financiar todo o imobilizado e deixar os recursos próprios livres para o capital de giro inicial, necessário para manter as operações da empresa enquanto a geração de faturamento não é suficiente”, aconselha Taniara Castro, coordenadora de Produtos Financeiros do Sebrae/RJ.

Outro ponto importante é o “timing”, uma captação de crédito em um momento errado pode até comprometer a evolução do negócio e jogar o dinheiro no ralo. Um negócio deve passar por diversos estágios de maturação e ter sua proposta de valor validada em mercado para conseguir utilizar o capital da melhor forma.

Onde posso buscar recursos para meu negócio?

São várias as portas que podem se abrir para investir na sua empresa. Se seu fôlego pessoal é pequeno, procure recursos com familiares ou de amigos, empréstimos bancários, investidores- anjo, plataformas de crowdfunding, capital semente, private equity, incubadoras e aceleradoras. Cada um destes modelos atende a uma necessidade específica e exigem diferentes retornos e garantias. É imprescindível se informar muito bem antes de dar esse passo.

O Sebrae atua em duas frentes para apoiar o pequeno e o micro empreendedor nesta tarefa:

Indiretamente, com a apresentação das linhas de crédito disponíveis no mercado que permitiram o compartilhamento das condições ofertadas a seus clientes e, diretamente, por meio de convênios e parcerias formalizadas, indicando as linhas adequadas ao empresário, fazendo a ponte de contato e comunicação entre o empresário e a instituição financeira.

 

 

Como se preparar para receber investimentos?

Antes de mais nada é necessário se planejar. São mais perguntas para responder: para que preciso? para o que? quanto de crédito preciso? como vou pagar? E além disso, ter clareza nos objetivos que pretende atingir com os recursos, como por exemplo, atingir 100 mil novos usuários, triplicar a base de clientes, etc. Toda rodada de captação de investimento traz uma “tese” por trás. Se receber 1 milhão em investimento amanhã, o que espera alcançar com sua operação? A resposta para esta pergunta tem que estar muito clara e embasada. A partir daí, surgem dois questionamentos importantes que guiarão o desenho da estratégia de captação: (1) o que você precisa para chegar neste objetivo? (2) com essa nova estrutura, quanto tempo precisará para gerar esse resultado buscado?

Respondendo essas perguntas, se constrói um Plano de Negócios, independentemente do segmento e porte da empresa.  Cada realidade tem um nível diferente de informações e de detalhamento que precisa ser colocado no papel. Dessa forma o empresário terá a possibilidade de entender seu modelo de negócios e saber quais os investimentos necessários a serem feitos para dar sequência naquela ideia. Com essas informações na mão, é mais fácil entender qual o tipo de modalidade mais se aplica para o atual estágio de negócio e o seu objetivo.

Em seguida, é a vez de estruturar o Fluxo de Caixa da Empresa e entender quais serão os custos e despesas que o negócio terá para se manter ativo somados àquela obrigação. Dessa forma, se pode definir de maneira assertiva as metas de vendas para honrar os compromissos e gerar resultados positivos.

Como ter ajuda para conseguir investimento?

O Sebrae continua sendo a melhor referência de apoio a novos negócios. A entidade disponibiliza diversos conteúdos orientativos para acesso imediato e tem ainda um atendimento on-line ou preferencial para sanar dúvidas onde se apresenta as alternativas no mercado adequadas a realidade de cada empresário.

Já a Quintessa, oferece uma assessoria para empreendedores de negócios de impacto na jornada de captação de investimento, auxiliando desde o desenho da estratégia de captação, até a preparação de materiais, a priorização de perfis de investidores, a abertura de portas com potenciais investidores e no acompanhamento das negociações até a assinatura do contrato.

Vale esclarecer o que é um negócio de impacto que possui particularidades diferentes de um negócio comum. Este tipo de negócio tem a intenção de resolver, por meio de produtos e serviços, problemas críticos no âmbito social e ambiental que estamos vivendo – e também de oferecer essas soluções de uma forma escalável, financeiramente sustentável, sem depender de doações.

“Gosto de resumir a lógica na seguinte provocação: se seu negócio tem a missão explícita de criar soluções para resolver desafios ambientais ou sociais cruciais que estamos vivendo e, junto com isso, resolve uma demanda de mercado, ele é um negócio de impacto”, explica Fabiana que atuou no desenvolvimento de diversos deles como Muda Meu Mundo, Cromai e Acordo Certo.

crédito

Há linhas de financiamento para negócios específicos?

Sim, como a Quintessa, há várias empresas e até ONGs atuando como facilitadores para grupos e negócios distintos. Um exemplo é a linha Empreendedoras de Minas, criada em 2018, pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, BDMG. É destinada a micro e pequenas empresas sediadas em Minas Gerais, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, e que tenham o mínimo de 50% de participação feminina no capital social, há pelo menos seis meses.

“Estas condições mais acessíveis reforçam o empenho do banco em apoiar o empreendedorismo feminino em Minas neste momento de desafios causado pela pandemia. Queremos estimular ainda mais as oportunidades de igualdade de gênero em nossa sociedade, alinhando o perfil de nossos financiamentos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU”, afirma o presidente, Sergio Gusmão.

O BDMG instituiu neste ano uma parceria com o SEBRAE para o fornecimento do “Crédito Assistido”. A micro e pequena empresa em geral (não necessariamente controlala por mulheres), que contrata um financiamento com o banco com o aval do Fampe têm à disposição cursos on line sobre diversos assuntos para melhoria da gestão da empresa. Tudo sem custo adicional ou contrapartida.

E por fim, qual o valor ideal da dívida?

Se a decisão for mesmo pegar dinheiro no mercado, fique muito atento para não se enforcar. A dívida precisa estar adequada a capacidade de pagamento da empresa e se for necessário o empréstimo, que seja muito bem calculado o montante com base nas necessidades reais da empresa. A média da parcela mensal não pode ultrapassar 30% do faturamento total gerado pela empresa. Mas é prudente respeitar limites menores, pensando no médio e longo prazos.

Para quem já possuí contratos/dívidas em aberto, existem oportunidades para renegociação das condições, como taxas mais atrativas, prazos mais alongados, ou uma prorrogação do pagamento para dar mais fôlego ao caixa.

Se suas dúvidas foram sanadas e a decisão é mesmo capitalizar seu negócio, clique nesse link para fazer download de um guia preparado pelo Sebrae com várias instituições financeiras abertas para oferecer crédito a quem quer e precisa.

Fontes utilizadas para o artigo: Sebrae, Quintessa e BDMG

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Regiane Bochichi

Profissional multidisciplinar, especialista em transmídia, com sólida experiência em ações de marketing e conteúdo jornalístico, adquirida em mais de 30 anos de atuação em empresas nacionais e multinacionais do segmento de comunicação tanto em veículos como em agências.
Regiane Bochichi