Caminhos para a mulher madura empreender

Ana Fontes é uma das convidadas do MaturiFest 2020 e vai falar sobre o “desafios e oportunidades para empreender” como mulher e maturi. Neste artigo vamos entender os caminhos para a mulher madura empreender

Nos anos 90, Ana Fontes teve que engolir não ser promovida na multinacional que trabalhava por ser mulher. No ano passado, foi eleita uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes. Entre os dois acontecimentos, está a Rede Mulher Empreendedora – RME, primeira e a maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino que promove eventos, capacitação e networking entre 500 mil mulheres de todo o Brasil, da qual é fundadora e CEO.

Ser mulher, ter mais de 40 anos, estar vivendo uma pandemia. São muitos os percalços para quem quer começar seu negócio ou ainda mantê-lo em pé neste momento de crise. Para ajudar a entender os “desafios e oportunidades para empreender”, ela é convidada do Festival MaturiFest 2020 que, pela primeira vez, acontece totalmente on-line. Seu painel será no dia 09 de julho, às 14h30. 

Ana Fontes e os caminhos para a mulher madura empreender
Ana Fontes se apresentando no evento TEDxSão Paulo

Nesta entrevista, que deu a equipe do Blog do Maturi sobre os caminhos para a mulher madura empreender, Ana adianta alguns temas como preconceito, maternidade, trabalho doméstico e acima de tudo, a necessidade de acolhimento e de buscar apoio com outras pessoas que já passaram ou estão passando pela mesma situação e podem se ajudar mutuamente.

    1. Você criou a Rede Mulher Empreendedora quando estava na faixa dos 40. Além do preconceito de ser mulher, você sofreu com idadismo?

Por ser mulher, claro que eu fui provocada, duvidaram de mim por querer empreender. Muita gente achou que eu não ia conseguir, apesar de muitos deles quererem, sim, o meu sucesso. Por ter uma vida muito estável, trabalhar em grande empresa há mais de 20 anos, os comentários externos e internos vieram. “Como você vai recomeçar com essa idade?” “E se não der certo, para onde você vai voltar?”

  1. O que pode ser feito principalmente junto às empresas para quebrar o preconceito que já existia quanto aos mais experientes e que agora ainda ganharam com a pandemia o rótulo de grupo de risco?

Eu acho que é a consciência de saber que estamos todos expostos, em menor ou maior grau. Difundir informações de prevenção, cuidar para que as pessoas, se possível, trabalhem de casa e estimular o cuidado com a saúde devem ser práticas e levar em conta que a combinação de diversas visões e opiniões é que tornam sua empresa melhor e mais lucrativa. 

  1. Na pesquisa realizada pela RME e Locomotiva, mostra que 50% das empreendedoras tem mais de 40 anos e antes de empreender trabalhavam em empresas. Por que as mulheres fazem essa transição nesta faixa etária?

Acredito que um dos fatores seja a maternidade, que traz essa vontade de ser mais independente, passar mais tempo com os filhos e ter mais flexibilidade e qualidade de vida. Uma pesquisa feita pela RME expõe justamente isso: 52% das empreendedoras entrevistadas são mães e a maioria delas empreendem depois dos 30 anos.

Outro fator pode ser o desejo por novos ares e a busca por propósito que normalmente fica mais latente nesta idade e também a segurança de saber que a experiência adquirida durante a vida pode ser útil em negócios autônomos. 

  1. Com a crise do coronavírus, o mercado de trabalho deve se retrair de forma brutal. Acha que os maturis serão um dos mais atingidos já que isso já era uma realidade pré-pandemia e muitos deles partiram para o empreendedorismo? Como resolver essa equação? 

Sim, com certeza! As mulheres, as mães, as pessoas mais maduras, as pessoas com qualquer tipo de deficiência, com certeza serão atingidas pelos cortes. A resolução vem de um olhar mais humano de todo processo. Aquela pessoa que está ali precisa se sustentar também, ela pode ter uma família que depende dela e por isso deve ser levada em consideração por suas competências não por ser mulher, por ser madura, etc. E isso não pode ser aplicado somente às empresas. Nós, enquanto consumidores, precisamos lembrar de consumir dessas pessoas. Promova o pequeno empreendedor, faça suas compras com ele. Vai ajudar muito! E é uma escolha, uma escolha política.

  1. Na mesma pesquisa citada acima, 39% afirmam que a Covid-19 afetou seus negócios. O que pode ser feito para ajudar as empreendedoras a sobreviver? O governo deveria abrir alguma linha de crédito, programas específicos e abonar impostos?

Apoiar-se em redes de apoio tem dado resultados. Sempre tem alguém que conhece outra pessoa que conhece uma organização que está contratando, que está precisando de algum serviço ou produto. Sobre o governo, tudo está muito nebuloso. Até o auxílio que deveria dar suporte não chegou em muitas empreendedoras. O acesso a crédito, historicamente, é mais difícil para a gente, então é algo que com certeza temos que pressionar para ser direcionado como incentivo de sobrevivência.

  1. A maioria delas está lutando pela sobrevivência e muitas estão sofrendo o luto pela perda de negócio. Dá para ser otimista nesta situação? 

Eu acho que é um sentimento que deve ser acolhido. O luto. Tantas coisas que perdemos nesta pandemia, neste governo. Dá para ser otimista, sim, mas se você está se sentindo triste, está de luto por um negócio pelo o qual você lutou tanto, acolha. Se acolha. Procure pessoas para te ouvir e, na medida do possível, vá se reerguendo, temos um programa de mentoria que está dando suporte gratuito para estas empreendedoras com o apoio do Google.

  1. Na sua estória, você fazia bolos e tortas na faculdade para pagar os estudos. Hoje, esse tem sido o caminho de muitas mulheres que saíram do mercado de trabalho. Qual conselho você daria para elas?

Comece pequeno, procure um mentor (a) alguém que já passou por este processo, a jornada é longa peça ajuda, participe de redes de relacionamento como a RME, busque se diferenciar dos seus concorrentes, no início foque em trazer clientes e vender, e, aos poucos, para vai organizando e fazendo planos futuros. 

  1. A jornada da mulher nos serviços feitos em casa é 10h24m superior à do homem por semana, revela a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), praticamente o dobro dos homens. O que fazer para dar conta da crise e do gerenciamento do bem-estar familiar?

Divisão de tarefas é fundamental para tirar esta sobrecarga operacional e mental das mulheres, converse com seu companheiro (a) organizem as tarefas e sejam apoio um do outro é fundamental para manter a saúde mental. O machismo é muito enraizado e é difícil mesmo quebrar a ideia de que a mulher está ali 24 horas e 7 dias inteiros por semana para cuidar, lavar, cozinhar, fazer tudo. 

  1. No Brasil, os maturis respondem por 23% do consumo de bens e serviços, com uma renda anual estimada em R$ 940 bilhões. Como você vê o papel da mulher empreendedora madura neste contexto? Ela tem uma vantagem competitiva por conhecer seu público?

Metade dos pequenos negócios no Brasil são liderados por mulheres, além disto as mulheres são responsáveis pelas decisões de compra das famílias e quando os negócios delas dão certo elas investem na educação dos filhos e no bem-estar da família. É inconcebível viver numa sociedade onde a maioria da população não está representada nos ambientes de poder.  

  1. Que conselho você tem para as mulheres que querem empreender e estão paralisadas por causa da pandemia? Que curso fazer? Quais passos deve tomar para se preparar para a volta da normalidade?

Acredito que a capacitação é o caminho. Conhecimento não é algo tão fácil de tirarem de você. Invista nisso, na medida do possível, e tenho certeza que no futuro isso será útil para você e para o seu negócio.

Para a mulher madura descobrir caminhos para empreender e adquirir habilidades voltadas para o sucesso de seus negócios, a Rede oferece a Trilha Empreendedora, uma plataforma de vídeos totalmente gratuita, onde são passadas dicas e recomendações de empreendedora para empreendedora, com informações práticas para cada fase de um negócio. 

Também estamos com a websérie Apoie Uma Empreendedora no nosso canal do YouTube. 

Serão 12 vídeos no total que vão abordar temas como redes sociais, e-commerce, delivery, organização financeira, opções de empréstimo, administração do tempo, networking, inovação, negociação e inteligência emocional. Não deixe de se inscrever e ativar o sininho de notificação para não perder nenhum conteúdo feito por especialistas em cada tema.

Para ajudar as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras durante a pandemia da COVID-19, o Google, em parceria com a RME está com o programa de Mentoria Cresça com o Google. Por meio dele, empreendedores terão a oportunidade de tirar dúvidas e receber orientação de profissionais sobre as principais áreas da rotina de uma empresa que foram impactadas durante a pandemia. O agendamento para as sessões de mentoria já está aberto e pode ser feitos até o final de junho de 2020.   

As mentorias coletivas da RME continuam acontecendo periodicamente reunindo especialistas e outras empreendedoras, com as quais você pode conversar e trocar experiências. Para fazer inscrições nas próximas, acesse a página no Sympla ou o Instagram.

Pelo Instituto RME, o Programa “Ela Pode”, que tem por objetivo capacitar 135 mil mulheres brasileiras até dezembro de 2020, ajudando-as a se tornarem mais confiantes e mais preparadas para o autodesenvolvimento pessoal e profissional, continua acontecendo. As oficinas, antes presenciais, agora estão acontecendo no ambiente virtual. Para se inscrever, acesse o site clicando aqui.

A palestra de Ana Fontes no MaturiFest 2020 Online será no dia 9 de Julho, quarta-feira com o tema “Desafios e Oportunidades para empreender agora”. Inscreva-se AQUI. É grátis! Garanta sua vaga para participar do evento que terá 4 dias de lives. Saiba quais são os melhores caminhos para a mulher madura empreender.

Regiane Bochichi

Profissional multidisciplinar, especialista em transmídia, com sólida experiência em ações de marketing e conteúdo jornalístico, adquirida em mais de 30 anos de atuação em empresas nacionais e multinacionais do segmento de comunicação tanto em veículos como em agências.
Regiane Bochichi