4 dicas para uma linguagem inclusiva e precisa

Precisamos falar sobre linguagem precisa, que contribui com a tão desejada inclusão na sociedade em que vivemos.

-Você já ficou constrangido ao se expressar de alguma maneira, achando que o seu interlocutor poderia estar se sentindo ofendido, ainda que esta não fosse a sua intenção?

-Alguma vez teve dificuldade em construir uma mensagem por não saber como se expressar de forma clara?

-Você já pensou que muito mais do que não falar de maneira politicamente incorreta é verbalizar seus pensamentos de forma precisa e inclusiva?

Se respondeu sim a alguma dessas questões, acredito que este artigo poderá lhe ser útil. Para mim foi, e muito. 

Estava em busca de orientações sobre comunicação precisa, quando encontrei este material no site Think with Google, criado pela equipe de Precise Language, que trabalha para capacitar o uso de linguagem inclusiva no local de trabalho.

Da leitura do artigo, vi logo que mais do que aplicado no trabalho, o estudo é e deve ser adotado no dia a dia.

Comunicação é ferramenta chave para um ambiente seguro

Sabemos que o bom relacionamento entre as pessoas depende muito da qualidade da comunicação entre elas.

“Comunicar-se de forma inclusiva e precisa significa ter a consciência de que nos relacionamos com pessoas com diferentes características e identidades e por isso é importante comunicar-se incluindo, valorizando, respeitando e acolhendo toda a diversidade inerente ao ser humano”.

Linguagem inclusiva e precisa levada a sério

Importante que estejamos atentos para adotar uma postura legítima quanto à adequação de nossa comunicação daqui para a frente, em qualquer contexto em que estejamos.

Transformar nossos hábitos, ou de equipes que façamos parte, não é tarefa fácil. É preciso converter mentalidades para tornar o ambiente de trabalho mais diversificado, igualitário e inclusivo para que a nova atitude não seja passageira, ou a nova diretriz de trabalho não seja algo “para inglês ver”.

De acordo com um estudo recente da PwC sobre diversidade e inclusão em organizações globais, 76% das empresas citam a D&I como um valor ou prioridade, enquanto apenas 22% dos funcionários relatam estar cientes dos esforços relevantes sobre o tema em suas empresas.

4 dicas para você ter uma linguagem inclusiva e precisa

Tudo isso parece muito complexo, entretanto, a orientação fornecida pela Think with Google para a criação e adoção de uma linguagem inclusiva é bem prática, e é útil a nós maturis, às lideranças e equipes de trabalho.

A real diversidade, equidade e inclusão, na prática, há de criar locais de trabalho onde pessoas de todas as origens e culturas se sintam capazes de prosperar.

1. Entenda a relação entre linguagem e poder 
2. Avalie as palavras que você usa 
3. Considere sempre a interseccionalidade 
4. Comprometa-se a contribuir praticando 

 

linguagem precisa

1. Entenda a relação entre linguagem e poder

“As palavras que usamos todos os dias têm um impacto real — em nós mesmos, em nossos colegas e em nossas instituições. A linguagem pode ajudar a manter sistemas de poder que impedem, por exemplo, que um local de trabalho seja inclusivo, criando um ambiente hostil para os funcionários, especialmente aqueles que se identificam com comunidades sub-representadas.

Em geral, indivíduos e grupos com mais poder têm acesso a mais oportunidades e podem impor seu jeito de pensar e fazer as coisas às pessoas que têm menos poder, muitas vezes sem se darem conta.
A linguagem pode ajudar a manter sistemas de poder que impedem que um local de trabalho seja inclusivo, criando um ambiente hostil para os funcionários.

A linguagem pode ser um reflexo disso, já que as pessoas com mais poder influenciam não apenas a linguagem usada, mas como ela é usada no local de trabalho. Como resultado, as palavras que usamos podem perpetuar um ciclo de desigualdade sistemática que é difícil de ser quebrado. Ao se conscientizar dos desequilíbrios de poder, você pode começar a resolvê-los para melhorar o local de trabalho para todos.

2. Avalie as palavras que você usa

“A linguagem evolui com o tempo, de tal forma que as palavras usadas há alguns anos podem não funcionar hoje. Por isso é importante avaliar continuamente o idioma que usamos e trocar periodicamente as palavras à medida que novas informações se tornam disponíveis.
Ao escolher as palavras que você usa, lembre-se de que o princípio mais importante da linguagem precisa é respeitar as escolhas e preferências alheias.

Exemplo prático:
Uso da palavra ‘minorias’ para descrever qualquer pessoa que não seja branca.
Apesar de politicamente correto, não explica a quais pessoas nos referimos. Além do mais, certos grupos tidos como “minorias” são “maioria” em vários lugares deixando a palavra cada vez mais imprecisa.

“Use: grupo oprimido no lugar de minoria”.

Ao substituir “minoria” por um termo mais preciso, como “grupo oprimido”, suas palavras são mais precisas para as pessoas em seu local de trabalho que se identificam como tal. Ao escolher as palavras que você usa, lembre-se de que o princípio mais importante da linguagem precisa é respeitar as escolhas e preferências alheias. Em termos simples, use sempre os nomes, pronomes e palavras que as pessoas e comunidades escolheram para se identificar.

3. Considere sempre a interseccionalidade

Uma parte importante do uso de linguagem precisa é garantir que seus conteúdos reflitam o mundo ao nosso redor. Fazer isso, efetivamente, significa reconhecer a interseccionalidade das identidades das pessoas e garantir que campanhas e comunicações representem a pluralidade que existe dentro da diversidade.

Exemplo:
A Covid-19 teve um impacto desproporcional na vida de pessoas não brancas e de pequenos negócios comandados por mulheres. Mesmo com a melhor das intenções a frase citada separa gênero e raça, e sem querer exclui pessoas não brancas proprietárias de pequenas empresas.

Uma abordagem mais inclusiva seria dizer que:
A Covid-19 teve um impacto desproporcional nas pequenas empresas de pessoas não brancas e mulheres.

Você poderia até completar, reconhecendo explicitamente a natureza desse impacto desproporcional:
“Como resultado das disparidades financeiras, geográficas e sociais preexistentes, a Covid-19 teve um impacto desproporcional em pequenas empresas comandadas por pessoas não brancas e mulheres”.

Quando a comunicação não é capaz de refletir a interseccionalidade, ela corre o risco de reduzir identidades multidimensionais em histórias simplificadas demais, que podem perpetuar estereótipos e ser ofensivo às pessoas a quem se destina o trabalho.

Escolha sempre narrativas variadas e, de preferência, aquelas que vêm diretamente das pessoas que fazem parte da narrativa, mesmo quando elas desafiam visões históricas de como algo deve ser apresentado.

4. Comprometa-se em continuar praticando

A inclusão não é uma moda. É necessário mudar as desigualdades estruturais, e isso requer uma vontade de examinar e resolver continuamente os desequilíbrios de poder. Avalie as práticas de sua empresa rotineiramente para criar uma comunicação e relações mais eficazes entre sua equipe.

Considere fazer uma pesquisa com todos os funcionários para ter opiniões e comentários e decidir qual será seu objetivo final.

Exemplo:
Você pode buscar uma meta de 95% dos funcionários satisfeitos com a comunicação da empresa e com a maneira como ela incentiva a produtividade e valoriza o trabalho deles. Avalie rotineiramente as práticas de sua empresa para encontrar oportunidades de criar uma comunicação e relações mais eficazes entre todas as pessoas.

 

Mãos à obra!

A aplicação dos princípios da linguagem inclusiva e precisa pode parecer complicada no início, mas é importante que nos dediquemos a isso com afinco, mesmo se parecer estranho. A ideal é que o nosso ambiente pessoal e de trabalho, seja verdadeiramente respeitoso e inclusivo.

Outro artigo que você poderá gostar de ler: Capitalismo consciente existe? 

Silvia Triboni

Editora e Produtora de conteúdo em Longevidade e Turismo. Fundadora do projeto Across Seven Seas, que divulga ao público 50+ informações e experiências para envelhecimento com relevância. Deputy Ambassador na Aging2.0 Lisboa, comunidade destinada à acelerar a inovação para enfrentar os desafios e oportunidades do envelhecimento.
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